Observando as raízes dum verso
descobri esta realidade insofismável:
poetas são seres com bosques por dentro.
Cada um tem o seu bosque.
Ali, pisando em sombras, o poeta se aprende.
E aprende a crescer, a conter
as árvores de folhas caídas.
No meio do bosque – todos poetas sabem –
há um pé de Poesia.
Infértil.
E o poeta resume sua vida
a visitar aquela árvore ressequida
numa andança de fora pra dentro
numa dança de dentro pra fora
como quem leva água para regar jardins
como quem traz seu pranto a fecundar o mundo.
giuseppe caonetto