hoje eu me despi da vida e assim fiquei:
curtindo a infância de um novo ano
que nasceu nu
na escuridão da noite
bem provável que amanhã ele esteja
– sabe-se lá por quê –
vestido numa fralda
brincando de transformar o tempo
talvez sentado aos pés de sua avó
– década passada –
ouvindo histórias de medos e coragens
saudades e esperanças
(algumas histórias se repetirão)
possivelmente eu quebre a cara outra vez
e não será culpa deste infante tempo
de apenas um dia
(algumas histórias se repetirão)
o ano-novo existe para que saibamos
– ao longo da vida –
recomeçar sonhos cicatrizados
(algumas histórias se repetirão)
quem sabe amanhã novos versos
recubram minha pele envelhecida
e façam de mim um poema inútil
(algumas histórias se repetirão)
mas hoje quero apenas ficar nu
numa taça de vinho
giuseppe caonetto