Nasci em 62.
Segundo contam
naquele domingo de 28 de janeiro
meu pai disparou pro alto
seu Taurus 38.
Há 62 anos
perfurou o ar
com tiros de alegria.
Minha vida começou –
bom que se diga –
em abril de 61.
Minha mãe a um mês
de fechar 44 voltas
em torno do Sol.
O tempo me torna
filho de uma incerteza humana
filho de uma certeza divina.
Eu sei que ao longo da vida
a alegria incontida de meu velho
foi minguando, minguando...
Como agora digo a ele
que transformei seu velho Taurus
num livro de sessenta e dois sonetos?
giuseppe caonetto