inauguração

  04/12/2023

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o tempo

cavalga pelos campos e cultiva

liberdades nas crinas do vento

sem pressa para fugas

(os espaços são seus comparsas)

 

o tempo

percorre a vastidão do ínfimo

desnuda o íntimo na transparência

veste-se do instante – traje colossal

 

o tempo

ignora a memória e despreza

a programação da TV

 

o tempo

não comparece à festa de aniversário

e fragmenta a eternidade do beijo

num átimo de zeptosegundo

 

o tempo

se apresenta envelopado como

convite de casamento

parece festa flamenga

no maracanã

com ares de infinitude

 

o tempo

se gasta e a poesia

nutrida de um só desejo

– o agora transvestido de nudez –

transcorre todo o tempo

às mãos trêmulas do poeta:

duas mãos para o registro dos trizes

e dos deslizes das rédeas soltas

 

giuseppe caonetto


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