a máquina de escrever
não sabe fazer silêncio:
fala brada grita uiva geme
caminha com salto alto
olhando de soslaio
o escritor fatigado –
tudo quanto não
escreve imprimindo
imprime escrevendo
a máquina de escrever
– senhora bailarina –
não cola nem copia
dos dedos escritores
transfere a força
transmuta a forma
transcorre com elegância
num palco branco
irrepetível
a máquina de escrever
– musa de quem a usa:
o poeta o escritor o cronista… –
somente repete os silêncios
dos dedos que se afastam
sem impressão digital
giuseppe caonetto